Investigação aponta pagamento de R$ 46 milhões em propina. PF e Ministério Público buscam aprofundar informações sobre as supostas ilegalidades

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (7/10), a 76ª fase da Operação Lava-Jato, que busca aprofundar investigações sobre esquemas de corrupção, principalmente no comércio de bunker (produto usado como combustível de navio), na Gerência Executiva de Marketing e Comercialização da Petrobras, que fica abaixo da Diretoria de Abastecimento da empresa. Intitulada Operação Sem Limites III, a ação cumpre quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro (RJ).

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), que atua na investigação com a PF, as provas, até o momento, sugerem que os investigados faziam um rodízio no “fechamento de operações com as empresas do setor” que, por sua vez, pagavam propina. A operação desta quarta-feira busca chegar aos executivos das outras companhias e aos empregados envolvidos. Os funcionários, conforme apuração, dividiam os valores de propina com outros servidores da gerência de marketing já denunciados e investigados pela Lava-Jato.

Conforme o MPF, um dos funcionários da Petrobras que é alvo da operação “foi responsável pelas negociações de combustíveis marítimos para os navios da estatal, próprios e afretados, que abasteciam no porto de Singapura”. “Tendo em vista a série de irregularidades cometidas, entre as quais, relacionamento impróprio com fornecedores e conflito de interesses, chegou a ser suspenso de suas atividades por 29 dias”, informou o Ministério Público.

Para fundamentar o pedido de busca e apreensão, foram incluídas provas já colhidas na investigação, como mensagens, e-mails, planilhas e uma série de notas fiscais de uma das companhias envolvidas, que apontam para a existência de um “sistemático esquema de pagamento de vantagens indevidas e de conversão desses valores em bens de aparência lícita, que perdurou, pelo menos, de 2009 a 2018”, segundo o MPF.

Uma das empresas envolvidas pagou por meio de doleiros propina na ordem de US$ 8,2 milhões, o que equivale a cerca de R$ 46 milhões hoje. Ainda conforme as apurações, um dos investigados recebeu de um executivo de uma das empresas realizadoras de negócios de combustíveis marítimos ao menos €12.249,44 (aproximadamente R$ 81 mil) em passagens aéreas e pagamento de parcelas de um contrato para ser membro de um “clube de férias”, tendo esse ex-funcionário se hospedado em hotéis de luxo.

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