André será secretário de Fomento e Incentivo à Cultura e Maurício Noblat Waissman de Desenvolvimento Cultural. Este último havia sido exonerado na época de Regina Duarte

O governo federal nomeou nesta sexta-feira (7/8) para o cargo de secretário Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, da Secretaria Especial de Cultura, o capitão da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) André Porciuncula Alay Esteves. Ele é um defensor do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais. A Secretaria Especial é comandada pelo ator Mário Frias.

Também foi nomeado, em portaria assinada pelo ministro Braga Netto (Casa Civil), Maurício Noblat Waissman para o cargo de secretário nacional de Desenvolvimento Cultural da pasta ligada ao Ministério do Turismo. Ele já havia integrado a secretaria, tendo sido nomeado para coordenador-geral da Política Nacional de Cultura Viva em novembro do ano passado, mas foi exonerado no dia 4 de março, quando a ex-secretária da Cultura Regina Duarte assumiu a pasta.

No Twitter, ele se intitular “escritor, palestrante, advogado, publicitário, conservador, bolsonarista, cronista de absurdos tragicômicos cotidianos, cristão”. Nas redes sociais, ele é também um grande defensor de Bolsonaro, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de Olavo de Carvalho, figura que inspira a ala mais ideológica do governo.

Em uma publicação feita neste ano, ele escreveu: “Defender o Bolsonaro e o Olavo é questão de decência. Ninguém pode sofrer tanta acusação como os dois”. Em outra, escreveu: “Sem o Olavo de Carvalho, hoje estaríamos ainda pondo esperanças no Aécio, no Serra e no Alckmin. Fato. Não ser grato por isso não dá, né?”

Em um blog de cultura há um texto escrito em maio deste ano e assinado por André Porciúncula, no qual afirma: “No Brasil, qualquer bobalhão com pretensão intelectual logo se fantasia de ser “cult”, que é (se é que podemos exprimir significado disso) como um conjunto de comportamentos e trejeitos afetados, cujo sujeito precisa aderir mimeticamente para ser considerado um “homem de cultura” (outra expressão sem qualquer sentido)”.

E complementa: “Não à toa, quando falamos da importância de preservamos a cultura o típico homem oco de nossa época logo pensa em Caetano, Maria Gadú ou Chico Buarque. Isto se deve ao lastimável fato de que a cultura fora reduzida a um mero clichê, um estereótipo caricato de algum desses gentlemen vazios. Perdeu-se completamente a noção metafísica da cultura como culto.”

A reportagem solicitou o currículo de ambos ao Ministério do Turismo e questionou o motivo da escolha, mas ainda não obteve retorno.

PM

Atualmente, André Esteves está em um cargo administrativo, lotado no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças. A PM baiana foi pega de surpresa com a nomeação de André, segundo informações da assessoria de comunicação da corporação. Não foi feito ainda um pedido de afastamento. A PM não soube informar se ele continuará recebendo o salário do governo estadual caso se afaste da função para atuar no governo federal.

No site da transparência do governo baiano não consta a folha de pagamento dos servidores. A reportagem questionou à Secretaria de Administração qual o salário do capitão André atualmente e aguarda retorno. No governo federal, o salário dele será R$ 16,9 mil.

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