Mato Grosso tem a maior curva de crescimento na taxa de contaminação pela Covid-19 no Brasil e é o epicentro da pandemia na região Centro-Oeste. A conclusão foi divulgada pelo Fantástico e foi baseada num estudo feito por especialistas da UFMT e da USP.

A reportagem mostrou a evolução da infecção e aponta que o novo coronavírus já chegou a 90% dos municípios brasileiros. Antes de chegar a esse percentual, Cuiabá tinha, no dia 27 de abril, 1 óbito e 126 casos registrados; no dia 25 de junho, as mortes saltaram para 136 e os casos chegaram a 3.

Como muitas das cidades do país, a capital do Estado também foi literalmente obrigada a recuar da reabertura da atividade comercial por força da decisão do juiz Luiz Lindote que determinou a “quarentena obrigatória” em Cuiabá e Várzea Grande, na quarta-feira (24). Com isso, serviços não essenciais nas duas cidades deverão ficar fechados.

“Pra você ter uma ideia, nas últimas 24 horas foram concedidas 14 liminares de pessoas solicitando leito de UTI, então se tem demanda de liminar pedindo leito, é porque é evidente que não tem mais UTI aqui no Estado de Mato Grosso”, disse o juiz ao repórter Renato Paglia.

O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) aparece discordando da decisão, como já havia falado à imprensa local logo que a ordem judicial foi proferida, avisando que cumpria a decisão, mas precisaria de tempo para implantar as barreiras sanitárias previstas. “Não é justo penalizar Cuiabá, trancar a população cuiabana dentro de casa sem nenhum critério sanitário, sem nenhum critério técnico e deixar o Estado inteiro aberto, com a população migrando para cá”, justificou o prefeito.

A matéria demonstra a confusão causada às empresas que tem lojas nas duas cidades, pois para alguns deles, o entendimento era de que a prefeita Lucimar Campos (DEM) cumpriria a decisão, mas Cuiabá não. “Nós temos 10 lojas em Cuiabá e quatro em Várzea Grande e não sabemos quando vamos reabrir. Estamos no meio, sem saber o que fazer”, disse o gerente da Moda Verão, Gilson Siqueira .

O professor de medicina da USP e de Matemática na FGV (Fundação Getúlio Vargas), Eduardo Massad, explicou o que deveria ter sido feito tanto em Mato Grosso quanto no resto do país: isolamento radical no princípio da proliferação da sétima cepa do corona vírus, mas as confusões entre a Presidência da República, Estados e municípios impediu a adoção de medidas alinhadas e para valer por todo o território nacional.

“Em seis semanas teríamos controlado essa doença. A gente teria economizado pelo menos metade dessa queda do PIB e de vidas”, disse, lembrando ainda que a tendência é que fiquemos presos em uma situação de abre e fecha sazonal por um tempo considerável.

A confusão generalizada trazida pelo desentendimento entre União, Estados e os 3.870 municípios brasileiros também foi apontada, assim como exemplos de situações semelhantes às de Cuiabá e Várzea Grande, separadas por uma ponte ou somente metros de distância.

Pesquisador da Fiocruz, Diego Xavier, reforçou a necessidade de criar um padrão de decisões para conseguirmos, enfim, controlar as curvas de disseminação e contaminação pela Covid-19. “A gente precisa que os prefeitos que fazem parte de uma mesma rede de atenção conversem, tomem medidas compartilhadas e que os governos estaduais gerenciem, organizem essas medidas e que o Ministério da Saúde traga diretrizes, protocolos, padrões, e acompanhe o que está sendo feito nos municípios. É o tipo de união que temos reiterado desde o início do processo epidêmico”, pede.

E lembrou que se isso não acontecer no Brasil, vamos continuar perdendo pro vírus não só empregos, dinheiro e o direito de encontrar e tocar outras pessoas, mas vidas. E agora às dezenas de milhares e possibilidade real de ver os números se tornarem centenas de milhares.

 

Fonte: FolhaMax

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