Empresa de consultoria de Pedro Nadaf era usada para “lavar” dinheiro desviado

O juiz Bruno D’Oliveira Marques, da Vara Especializada Ação Civil Pública e Ação Popular de Cuiabá, determinou a inclusão do ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf, e seu filho Pedro Jamil Nadaf Filho, como réus numa ação por improbidade derivada da Operação Sodoma, em trâmite desde abril de 2016. Eles eram donos da  NBC – Assessoria, Consultoria e Planejamento Ltda, empresa utilizada no esquema de fraudes a incentivos fiscais na gestão do ex-governador Silval Barbosa. Pai e filho vão substituir a empresa no polo passivo da ação.

Também são réus no processo: Karla Cecilia de Oliveira Cintra, ex-assessora de Nadaf na Federação do Comércio de Mato Grosso (Fecomércio), onde ela trabalhava na época dos esquemas, o ex-governador Silval da Cunha Barbosa e seu ex-chefe de gabinete Silvio Cézar Corrêa Araújo, o procurador aposentado do Estado, Francisco Gomes Andrade Lima Filho, o Chico Lima, e ainda o ex-secretário estadual de Fazenda, Marcel Souza de Cursi.

Na denúncia oferecida ao Judiciário, o Ministério Público Estadual sustentou que a NBC Assessoria foi utilizada pelo grupo criminoso chefiado por Silval Barbosa e Pedro Nadaf para praticar lavagem de dinheiro. A estratégia dos envolvidos, segundo o MPE, era ocultar a origem ilícita de recursos de propinas pagas pelo empresário João Batista Rosa, dono do Grupo Tractor Parts, e delator do esquema investigado pela Delegacia Fazendária (Defaz) juntamente com o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) na 1ª fase da Operação Sodoma.

Rosa confessou que pagou R$ 2,6 milhões em propina para a organização criminosa para agilizar o enquadramento de suas empresas no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic). Ele detalhou que desse total pelo menos R$ 2 milhões foram destinados ao pagamento de dívidas de campanha do grupo de político do ex-governador Silval Barbosa.

Conforme o Ministério Público, a NBC recebeu transferências bancárias para o pagamento da propina entre novembro de 2013 e abril de 2015. Karla Cintra fez parte do quadro societário da empresa entre junho de 2011 e dezembro de 2013, quando foi substituída pelo filho de Pedro Nadaf.

Agora, em novo despacho no processo o juiz Bruno Marques informou que a NBC foi extinta após a propositura da ação, sendo cabível, no entanto, sua substituição pelos representantes que figuravam no quadro societário da empresa.

“Com efeito, promova-se a inclusão de Pedro Jamil Nadaf Filho e Pedro Nadaf no polo passivo da ação, ambos na condição de substitutos processuais da pessoa jurídica extinta, NBC – Assessoria, Consultoria e Planejamento Ltda. Citem-se os referidos substitutos processuais para, querendo, apresentarem contestação no prazo legal”, escreveu o magistrado na proferida no dia 23 de julho.

Ele também acolheu pedido de habilitação para acesso aos autos formulado pela terceira interessada Gracielle Fernandes da Silva. Ela é ex-mulher de Silvio Cézar Corrêa e tem interesse no processo porque afirma ser dona de um imóvel que foi bloqueado pela Justiça, a fim de garantir recursos para ressarcimento dos cofres em caso de condenação futura.

Inclusive, em 16 de março deste ano o juiz Bruno D’Oliveira Marques negou um pedido de Geracielle para desbloquear um imóvel nos autos de outro processo sigiloso que tramita desde 2018, também derivado da Operação Sodoma.

Ela sustentou que adquiriu a propriedade em 2012 quando ainda estava solteira. Em 2013, Gracielle se casou com Sílvio Cézar em regime de comunhão parcial de bens, mas depois de um tempo o casal se separou. Ela sustentou que o imóvel sempre lhe pertenceu e pediu a exclusão da medida constritiva.

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