Saída do DEM deve ser oficializada já na quarta-feira (29/7)

Os partidos DEM e MDB, que integravam o bloco do ‘Centrão’ na Câmara dos Deputados, irão sair do grupo soma mais de 200 dos 513 parlamentares da Casa. O líder do DEM, Efraim Filho (PB), disse que as duas legendas entenderam que era o momento de “preservar essa autonomia regimental”.
“Não teve bronca, não teve briga, não teve divergência. É uma posição em nome da autonomia do partido e vida que segue”, afirmou. De acordo com ele, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) já teve preenchimento de vagas, e era a justificativa do momento para integração dos partidos no grupo.
O bloco hoje é formado pelo PL, PP, PSD, MDB, DEM, Solidariedade, PTB, PROS e Avante – alguns estão mais alinhados com o governo (como o PP, PSD e PL) e outros tem posição de mais moderados, como o Solidariedade. Ele foi formalizado no ano passado para a formação da CMO.
Nos últimos meses, uma divisão aparece cada vez mais clara no bloco, quando alguns partidos negociaram com o governo um apoio maior com as pautas do Palácio do Planalto, e em troca indicaram nomes a cargos em ministérios. Outras legendas ficaram de fora falando em autonomia em relação ao governo.
Na semana passada, o racha ficou mais claro após a votação da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). O líder do bloco e do PP, Arthur Lira (AL), agiu como um articulador do governo e tentou retirar o texto da pauta, para o Planalto ganhar mais um tempo para articulações. O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que queria votar a matéria, manteve a votação em pauta.
Questionado sobre a relação entre o episódio do Fundeb com o “desembarque” do partido, Efraim admitiu que a votação contribuiu com a decisão tomadas.
“Ali teve um episódio, que foi um requerimento de retirada de pauta por parte do bloco. O fato de a gente ter a relator do Fundeb, a professora Dorinha (TO), gerou um ruído interno dentro da bancada, mas foi superado, tanto que logo depois foi retirado. Mas, para evitar repetição de episódios como esse, o curso natural das coisas era já ter feito a saída do bloco, e acho que esse episódio acaba simbolizando a saída, mas sem nenhum tipo de estresse”, disse.
Em sua página no Twitter, o líder do MDB, Baleia Rossi, escreveu apenas que a presença do partido “no bloco majoritário da Câmara se devia às cadeiras nas comissões”. “Manteremos diálogo com todos”, escreveu.

 

 

O líder do PP e do bloco, Arthur Lira (PP-AL), também se pronunciou pelas redes sociais. De acordo com ele, o bloco “tem como objetivo manter o diálogo e a votação das pautas importantes para o país”.
“O chamado bloco do centrão foi criado para formar a comissão de orçamento. Não existe o bloco do Arthur Lira. O bloco foi formado para votar o orçamento e é natural que se desfaça. Ele deveria ter sido desfeito em março, o que não aconteceu por conta da pandemia”, escreveu em sua página do Twitter.

 

 

Sucessão

Há dentro do bloco nomes distintos que são pré-candidatos à presidência da Câmara. O líder do DEM nega qualquer relação da saída do partido com a sucessão de Rodrigo Maia, mas já há muita articulação na Casa. “A influência disso na decisão (de sair do bloco) é zero. O Democratas só vai tratar disso após as eleições municipais”, afirmou Efraim Filho.
Sabe-se que o líder do Centrão, Arthur Lira, o está de olho na cadeira de Maia, que quer fazer um sucessor. Dentro do PP há, ainda, Aguinaldo Ribeiro (PB), além de outros nomes do Centrão, como o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (SP).

Novo Bloco

Efraim nega que o DEM e o MDB estejam saindo do bloco do Centrão para criarem um novo bloco. Perguntado se outros partidos iriam sair do bloco para criar um novo grupo, o deputado disse não saber. “Tem várias conversas que eu não estou acompanhando”, disse.
Na semana passada, o deputado Glaustin Fokus (PSC-GO) disse que discute-se a formação de uma espécie de “grupo 2”, descolado da figura de Arthur Lira. Há conversas entre o PSL, PSC e PROS neste sentido.
“A ideia é fazer um grupo, é fazer uma divisão. Trilhar o mesmo caminho (do PP), mas em um caminhão diferente, em ônibus diferentes. Mas continuando na base do governo”, relatou. O parlamentar afirmou que ainda não havia nada certo, e que isso não era resultado de uma divisão de apoios.

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