Lúdio, que também é médico sanitarista, disse temer um repique de casos em MT

O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) classificou como “intempestivo” o decreto baixado pelo governador Mauro Mendes (DEM), na última semana, autorizando a retomada de atividades não essenciais em todo o Estado.

Foi permitida, por exemplo, a reabertura de bares, restaurantes, salões de beleza, shoppings centers, dentre outras atividades. Alguns, a exemplo das academias, estavam fechadas desde março, quando teve início a pandemia da Covid-19.

Na avaliação de Lúdio, que também é medico sanitarista, a decisão produz uma espécie de “liberou geral”.

“Um governante quando toma uma decisão, passa uma mensagem à população. A decisão intempestiva do governador – sem diálogo prévio, sem preparação, sem fundamento em informações epidemiológicas – cria na população a impressão de que acabou a pandemia”, disse.

“Parece que vamos voltar a vida normal de antes. E não existe mais vida normal de antes. Ainda assim, tão logo surgiu o decreto, as pessoas voltaram a circular, aglomerar, andar sem máscaras”, emendou.

As declarações foram dadas na manhã desta terça-feira (28), em entrevista à Rádio Jovem Pan.

O deputado demonstrou, também, estar receoso quanto a possibilidade de o decreto resultar em um repique (novo aumento de casos) da doença no Estado.

“Isso vai alterar o comportamento da curva epidêmica. Existe um risco de termos um repique: acelera, estabiliza e depois volta a acelerar. Isso, infelizmente, pode acontecer aqui no Estado. Vamos perceber na próxima semana se esse fenômeno está acontecendo”, afirmou.

“Alteração de regras”

Ainda durante a entrevista, Lúdio afirmou que, para permitir a flexibilização das atividades econômicas, o governador fez uma “jogada”, alterando medidas que haviam sido fixadas por ele anteriormente.

Isto porque, na última semana, Cuiabá e Várzea Grande – que passavam por um período de quarentena obrigatória, imposta pela Justiça – deixaram a classificação de risco “muito alto” de contágio da doença para “risco alto”.

O primeiro decreto baixado por Mendes estabelecia, entre outros pontos, que Municípios com essa classificação teriam que vetar a abertura de bares, restaurantes e shoppings, por exemplo. Ocorre que, segundo Lúdio, o Executivo passou a aplicar as regras para cidades com risco “moderado” em locais com risco “alto”.

“O correto seria o Estado – para poder relaxar as medidas – esperar o Município estar no risco “moderado” para reduzir as restrições. Ao invés de aguardar isso, o Governo fez uma mudança nas regras de restrição. Então, agora as regras de moderado passam a valer para o alto”, disse.

“É mais ou menos como se o médico dissesse: a temperatura corporal abaixo de 37° é normal, acima é febre. Tenho muita gente com 38,5°. Ao invés de dar medicamento para diminuir febre, vou alterar meu parâmetro e só será considerado febre acima de 39°. Isso que o Estado fez: uma decisão arbitrária, alterando as regras para poder reduzir as restrições às atividades econômicas”, criticou.

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